Um Guia para a Conduta Humana

“YAMA” e “NIYAMA”, os dois primeiros passos do “Astaunga Yoga”, formam o código moral yogui, a base moral em que se fundamentam as práticas espirituais de todos os apirantes de Yoga.

Os principios de “YAMA” e “NIYAMA” são um verdadeiro código ético universal aplicável a qualquer época ou lugar, o que contrasta com princípios, leis, costumes, tradições, modas e normas relativas que tem variado através da história ou que mudam de um país para o outro.

“UM GUIA PARA A CONDUTA HUMANA”, constitui um dos mais conscientes e profundos estudos destes princípios morais.

É a proposta de um sistema de valores que tanto faltam à Humanidade de hoje.

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Excertos

Os ideais morais devem ser tais que possam fornecer aos seres humanos a capacidade, assim como a inspiração, para prosseguir o caminho da Sádhaná. A moralidade depende do esforço individual para manter um equilíbrio em relação aos factores do tempo, espaço e pessoa e portanto, podem haver diferenças no código moral. Mas o objectivo final da moralidade é o alcance da Bem-aventurança Suprema e por isso não pode haver qualquer possibilidade de imperfeição devido aos factores relativos. Não se pode dizer que o alvo final da vida humana seja não roubar, o desejável é que a tendência para roubar seja eliminada. Não é a meta da vida que o homem não se entregue à falsidade, o importante é que a tendência para mentir seja dissipada da sua mente. O sádhaka inicia as suas práticas espirituais com os princípios morais, não se envolvendo em roubo ou falsidade. O objectivo dessa moralidade é alcançar a união com Brahma – um estado onde deixam de existir a vontade de roubar e a tendência para mentir.

Na Sádhaná da Ananda Marga, a educação moral é ensinada com esse ideal de união com Brahma, porque não é possível fazer Sádhaná sem uma ideação moral. A Sádhaná desprovida de moralidade desencaminha o homem novamente para os prazeres materiais e, a qualquer momento, ele pode empregar o seu poder mental, obtido com muito esforço, para saciar a sede de desejos materiais fúteis.

 

Ahim’s’a significa não ferir ou prejudicar alguém por pensamento, palavra ou acção. Este termo é mal interpretado por muitos. Alguns supostos sábios, de facto, definem a palavra Ahim’s’a de tal maneira que seria impossível viver, não somente na sociedade, como também em florestas, montanhas e cavernas, se alguém aderisse estritamente à sua definição. Por essa interpretação da palavra Ahims’a’, não só é proibido matar, como também não é permitida a luta para se defender. Ao lavrar a terra pode-se causar a morte de inumeráveis insectos e criaturas do subsolo, portanto, o uso do arado não seria permitido. Os seguidores desta definição de Ahim’s’a alegam que aqueles que querem levar uma vida religiosa não devem eles próprios usar o arado, mas empregar pessoas de classes inferiores para fazer este serviço, salvaguardando-se assim do pecado de destruir vidas. Segundo eles, deveria ser derramado açúcar nos abrigos das formigas, não importando se os seres humanos tenham ou não alimentos; os pobres deveriam deixar que os mosquitos, inimigos natos dos seres humanos, se alimentassem do sangue dos seus corpos.

Esta não é a definição de Ahim’s’a, mas sim uma grande confusão. É contrária ao verdadeiro Dharma. É contra as verdadeiras leis da existência. Até mesmo o processo de respirar envolve a morte de inumeráveis micróbios. Eles também são seres vivos e para salvá-los seria necessário parar de respirar. A prescrição de medicamentos aos doentes devia ser suspensa, porque os remédios poderiam causar a destruição das bactérias causadoras de doenças. Se Ahim’s’a fosse interpretado desta forma, onde é que tais intérpretes conseguiriam viver?